EXTENSÃO DO HOMEM
Maio de 2008
Resenha Bibliográfica de “Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem”, Capítulo I “O MEIO É A MENSAGEM”(p.21) e capítulo 2 “MEIOS QUENTES E FRIOS”(p.38 )
de Marshall Mcluhan.
São Paulo: Editora Cultrix, 1996, 8ª edição 407p.
No livro “Os Meios de Comunicação Como Extensões do Homem”, o canadense Marshall McLuhan (Edmonton, 21 de julho de 1911 — Toronto, 31 de dezembro de 1980) revê as tecnologias do passado e do presente e mostra como os meios de comunicação de massa afetam profundamente a vida física e mental do Homem, levando-o para o mundo da facilidade da Era Eletrônica.
Em “O MEIO É A MENSAGEM”, McLuhan nos diz que o meio é a extensão de nós mesmos, e pode-se dizer que o meio é a mensagem porque é este que configura e controla a proporção e a forma das ações e associações humanas. Por exemplo, qual é a mensagem do telescópio? A aproximação da visão, não importa o que se veja. O que importa é a mensagem de ampliação da capacidade de enxergar. O meio, porém, influencia a mensagem. O meio digital nos dá a curiosidade, faz hiperlinks com outras coisas, enquanto o meio “fora” do digital, não tem como nos distrair desta mesma maneira. O jornal é um exemplo. Quando lemos a página online, temos de lutar contra a vontade de olhar emails e contra os banners que pulam na tela para conseguirmos ler e prestar atenção no que lemos. Já no meio off-line, temos de lutar contra conversas externas e até mesmo contra enjôos de quando lemos enquanto estamos em movimento.
Segundo Marshall, “A ‘mensagem’ de qualquer meio ou tecnologia é a mudança de escala, cadência ou padrão que esse meio ou tecnologia introduz nas coisas humanas”(p.22). A luz elétrica é outro exemplo apresentado pelo autor. É um veículo de mensagens porém sem mensagem “fixa”. Nós não a vemos como um meio, um veículo, porque não sabemos ver sua mensagem, que é aquilo que causa, como por exemplo, iluminar um quarto escuro. Ou seja, a mensagem do meio não é o conteúdo em si, mas sim o efeito que causa.
O cinema por sua vez nos transporta para um mundo de estruturas e configurações criativas. Sua mensagem é a da transição da sucessão linear para a configuração que hoje é vista como: “se funciona, não é obtusa”. Para entendermos como funciona a linearidade, pegamos novamente o exemplo do jornal. Quando se pega o jornal impresso, você escolhe por onde vai começar a leitura através de uma editoria de seu interesse. Na versão online, tem os links correspondentes as editorias, o que nos permite fazer esta mesma escolha. Ou seja, nós damos a linearidade que queremos na leitura. E assim é nas duas versões do jornal.
Os termos Online e off-line nos remetem ao segundo capítulo: “MEIOS QUENTES E FRIOS”. Podemos diferenciá-los da seguinte maneira: o meio quente trabalha com a prolongação de um de nossos sentidos em alta definição, ou seja, oferecendo muita informação para aquele sentido, enquanto o meio frio trabalha com mais de um sentido e passa muitas informações para todos os que são trabalhados naquele momento.
Os meios podem ainda aquecer ou esfriar, tudo depende de como forem usados. Um meio quente permite menos participação que um meio frio, porém não se deve tentar esquentar ou esfriar um meio a qualquer custo. Este pode sofrer um dano irreparável, como vemos no exemplo dos missionários. Estes, deram aos nativos australianos machados de aço quando chegaram, fazendo com que a cultura dos nativos ficasse abalada, pois esta era baseada no machado de pedra. Os missionários deram machados (símbolo de masculinidade) também para as mulheres e para as crianças, fazendo com que os homens tivessem que pedi-los emprestados as mulheres, o que causou a ruína da dignidade daqueles homens. Importa também saber, segundo McLuhan, onde o meio é utilizado, como por exemplo, se um meio quente como o rádio é usado em uma cultura fria ou quente. Vale à pena ainda estabelecer a diferença entre os empregos dos meios quentes e frios. Para tal, devemos comparar e opor a transmissão de um concerto sinfônico e a transmissão de um ensaio sinfônico. Por último, McLuhan ressalta que o aquecimento de um dos sentidos tende a produzir hipnose e o esfriamento de todos os sentidos resulta em alucinação.
Por Julia Lima para as disciplinas de Filosofia e Laboratório de Linguagem I